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Mães que matam: Overdose midiática incrimana antes dos julgamentos

Por Edneide Arruda

Nos últimos tempos a mídia brasileira, com destaque para a televisiva, oferece uma pauta aos telespectadores que, em geral, é uma verdadeira overdose de tragédias. Trata-se do noticiário sobre tragédias humanas em que mães que, sofrendo distúrbios, abandono, rejeição, surto ou a dor de viverem na miséria, matam seus filhos.

Sem maiores análises capazes de refletir sobre as causas destes atos tão trágicos, a mídia primeiro cria um cenário de horror e execra as acusadas, depois as ouve. O telespectador atento pode perceber que em nenhum momento aparece a figura masculina, também responsável pela existência destas crianças.

Estas mães são criminosas sim, não se defende o contrário. Logo, devem ser julgadas e, comprovadas as acusações, punidas. Mas antes que tudo isso aconteça, o que se testemunha é uma ação midiática mais incriminatória que reflexiva e investigativa contra estas infelizes mulheres.

O pior detalhe é que esta overdose midiática de tragédias humanas entra pelas cabecinhas de milhares de crianças, que ficam horas a fio, na frente da televisão. Que tipos de futuros seres humanos estamos formando...

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