Pular para o conteúdo principal

Mães que matam: Overdose midiática incrimana antes dos julgamentos

Por Edneide Arruda

Nos últimos tempos a mídia brasileira, com destaque para a televisiva, oferece uma pauta aos telespectadores que, em geral, é uma verdadeira overdose de tragédias. Trata-se do noticiário sobre tragédias humanas em que mães que, sofrendo distúrbios, abandono, rejeição, surto ou a dor de viverem na miséria, matam seus filhos.

Sem maiores análises capazes de refletir sobre as causas destes atos tão trágicos, a mídia primeiro cria um cenário de horror e execra as acusadas, depois as ouve. O telespectador atento pode perceber que em nenhum momento aparece a figura masculina, também responsável pela existência destas crianças.

Estas mães são criminosas sim, não se defende o contrário. Logo, devem ser julgadas e, comprovadas as acusações, punidas. Mas antes que tudo isso aconteça, o que se testemunha é uma ação midiática mais incriminatória que reflexiva e investigativa contra estas infelizes mulheres.

O pior detalhe é que esta overdose midiática de tragédias humanas entra pelas cabecinhas de milhares de crianças, que ficam horas a fio, na frente da televisão. Que tipos de futuros seres humanos estamos formando...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Em dois anos, Lei Maria da Penha muda sociedade

Por Edneide Arruda Em entrevista concedida hoje (06), a emissoras de rádio de todo o país, a partir dos estúdios da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em Brasília, a ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, registrou a passagem dos dois anos de vigência da Lei Maria da Penha. A ministra afirmou que o Brasil está mudando e a sociedade está menos tolerante com a violência contra a mulher. Segundo Freire, “a grande comemoração é a incorporação e a apropriação pela sociedade, de uma nova regra. A grande comemoração é que hoje, no Brasil, todo mundo sabe que existe uma lei e que não se pode mais agredir as mulheres, não se pode mais exercer este poder sobre as mulheres, e que, com a lei, nós podemos discutir na sociedade, as conseqüências da violência contra a mulher." (...) que "não se restringem àquela mulher que está sendo vitimada, mas elas se espalham para toda a família e para toda a comunidade.”, afirmou. Em resposta a um âncora de rád...

A causa e o cargo

Por Edneide Arruda No discurso que proferiu hoje, marcando sua volta ao Senado, a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva(PT/AC), justificou sua decisão de entregar uma carta, renunciando ao cargo, com uma frase, que externa sua compreensão sobre os espaços de poder: “A causa é maior do que o cargo, e o cargo deve estar a serviço da causa, inclusive, para ser disponibilizado, se a sua disponibilização leva ao fortalecimento da causa”.

Governo brasileiro assina convênio que cria DEAMS no Haiti

Por Edneide Arruda A condição da mulher é universal e a solideriedade a todas as mulheres do planeta não pode ter fronteiras. Assim age a Secretaria Especial de Políticas paras as Mulheres. Na última visita do Presidente Lula ao Haiti, a ministra Nilcéa Freire, das Mulheres, que compunhava a comitiva brasileira, assinou convênio, para a implantação de cinco delegacias dos direitos da mulher no país. Isso porque, no Haiti é muito alto o índice de violência doméstica e de estupros. Ainda assim, muito há de ser feito pelas mulheres haitianas. Basta imaginar que que um Estado pequeno com Rondônia, tem sete demelgacias de mulheres. Naquele país, além de delegacias precisa-se de atendimento integral à saúde delas, e a garantia dos direitos reprodutivos.