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A mídia insiste que menos mulheres foram eleitas

Por Edneide Arruda

Quem acompanha a cobertura jornalística do resultado das eleições municipais deste domingo, no Brasil, quando novos prefeitos e prefeitas foram escolhidos, recebe uma notícia errada: a mídia trabalha com o discurso de que o percentual de mulheres eleitas em 05 de outubro, para administrar cidades pelo país a fora, não aumentou. Um discurso fora de sintonia com a realidade.

Em entrevista que concedeu à imprensa, após as eleições, o presidente Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Ayres Britto, afirmou que o número de mulheres eleitas para o cargo de prefeita aumentou em 2008: as mulheres passarão a ocupar 9,16% dos cargos municipais. Também segundo o presidente do TSE, as mulheres prefeitas eram 7,32% em 2004 e 5,72% em 2000.

Á mídia cabe tão-somente o papel de divulgar o resultado eleitoral. Mas, confundindo a audiência, a mídia trabalha com um discurso desestimulante: o de que o resultado das eleções não atinge os 30% exigidos dos partidos. Neste caso, confunde a audiência, pois a lei exige que os apresentem chapas contendo 30% de candidaturas de mulheres, não que eleja esse percentual de mulheres.

Cabe ao eleitorado o direito de livre escolha. Desta forma, é obrigação do conjunto da sociedade, ai incluída a mídia, garantir a democracia, respeitando a vontade do eleitorado, de se manifestar pelo candidato do gênero que bem entender.

O papel de lutar para eleger cada vez mais mulheres para ocupar espaços de poder em todas as esferas da vida pública é dos movimentos de mulheres existentes no país. Aos órgãos públicos voltados especificamente para as mulheres, cabe a missão de adotar políticas mais comprometidas com a facilitação desse acesso das mulheres aos espaços de poder.

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