Pular para o conteúdo principal

A barriga da princesa - e o que ela tem a ver com a sua

Família real
Celebridades se refugiam após o parto escondendo a 'gordura'. Kate apareceu com roupa sem esconder a barriga e causou polêmica. Do blog Feminismo pra quê?
por Nádia Lapa publicado 31/07/2013 10:15, última modificação 31/07/2013 12:09
Ao lado de William, Kate aparece com George no colo
A jornada da heroína de um conto de fadas: conhece o príncipe, se apaixonam, se separam por um tempo, se reconciliam, se casam e, dizem, vivem felizes para sempre. Se houver uma gravidez e um herdeiro, melhor ainda. É assim em livro, em último capítulo da novela e nos sonhos não realizados da maioria das garotas. Kate Middleton vive isso. Há pouco mais de uma semana, a Duquesa de Cambridge apareceu radiante com o filho George no colo e o marido ao lado. Eles apresentavam à imprensa o bebê nascido após onze horas de trabalho de parto.
Um momento maravilhoso na vida de uma princesa da ficção, e das mães da vida real que desejaram parir.
Mas o problema foi a barriga de Kate.
Pela reação das pessoas nas redes sociais e de muitos jornalistas, não é de conhecimento público que mulheres que acabaram de dar à luz continuam barrigudas. No mínimo surreal, pois todos nós saímos da barriga de alguém, visitamos novas mamães na maternidade, acompanhamos irmãs, amigas e esposas neste momento. Mesmo assim, o fato de Kate Middleton aparecer gloriosamente vestindo uma roupa que não escondia sua barriga causou polêmica.
Porque em geral as celebridades escondem. Elas se refugiam logo após o parto, aparecendo somente depois de perder a "gordura da gravidez". Fotos? Só de rosto ou segurando o bebê no colo, escondendo a barriga. Muitas já fazem a primeira aparição nas passarelas. De biquíni. A imprensa vibra.
"Gisele Bündchen desfila de biquíni no Havaí dois meses após o nascimento de Vivian"
"Dieta de Juliana Paes: como atriz faz para entrar em forma depois da gravidez"
"Corpões pós-parto: Mamães internacionais exibem físico impecável após dar à luz"
"Dieta pós-parto de Beyoncé tem exercícios às 5h da manhã, omeletes e muita água gelada"
Todas as manchetes acimas são reais, e há incontáveis delas à distância de uma busca no Google. É uma corrida sem linha de chegada. As mulheres precisam ser bonitas para serem amadas. Sendo amadas, precisam ser mães. Sendo mães, precisam continuar bonitas para não serem abandonadas por aquele homem lá que lhe dá valor. Porque o valor está nele, claro, e não nela.
Essa busca insana e doentia por um padrão de beleza machuca pessoas, especialmente mulheres. Nós representamos 90% dos casos de transtornos alimentares. O índice de mortalidade de pacientes com anorexia nervosa chega a 20%. Uma mulher comum não pode levantar às 5h da manhã para fazer ginástica, a exemplo da cantora Beyoncé, simplesmente porque não dormiu a noite inteira com o bebê chorando. No entanto, a pressão por corpos perfeitos atinge todas nós, celebridades ou não, porque estamos permanentemente sendo julgadas por nossa aparência.
Se nem Kate Middleton, uma princesa, conseguiu, como é que você, plebeia, conseguiria?
A quem serve essa paranoia?
Naomi Wolf, em O Mito da Beleza, responde: "ideais não caem do céu. Eles vêm de algum lugar e servem a um propósito. Este propósito é geralmente financeiro, notadamente para aumentar os lucros das empresas que anunciam na mídia, que, em contrapartida, cria tais ideais. O ideais servem a um fim político. Quanto mais fortes as mulheres estavam se tornando politicamente, mais pesados ficaram os ideais de beleza, com o fim de distrair a energia dessas mulheres e derrubar seu progresso".
Precisamos destruir estes padrões e focar no que é realmente necessário para a mudança do mundo. Devemos repensar como o mito da beleza é exatamente uma ficção, assim como os tais contos de fadas. Mostra-se urgente que mulheres compreendam seu papel político na sociedade, entendendo que nosso valor está em nós mesmas, e não no olhar do outro, tampouco no tamanho das nossas barrigas.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Em dois anos, Lei Maria da Penha muda sociedade

Por Edneide Arruda Em entrevista concedida hoje (06), a emissoras de rádio de todo o país, a partir dos estúdios da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em Brasília, a ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, registrou a passagem dos dois anos de vigência da Lei Maria da Penha. A ministra afirmou que o Brasil está mudando e a sociedade está menos tolerante com a violência contra a mulher. Segundo Freire, “a grande comemoração é a incorporação e a apropriação pela sociedade, de uma nova regra. A grande comemoração é que hoje, no Brasil, todo mundo sabe que existe uma lei e que não se pode mais agredir as mulheres, não se pode mais exercer este poder sobre as mulheres, e que, com a lei, nós podemos discutir na sociedade, as conseqüências da violência contra a mulher." (...) que "não se restringem àquela mulher que está sendo vitimada, mas elas se espalham para toda a família e para toda a comunidade.”, afirmou. Em resposta a um âncora de rád...

A causa e o cargo

Por Edneide Arruda No discurso que proferiu hoje, marcando sua volta ao Senado, a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva(PT/AC), justificou sua decisão de entregar uma carta, renunciando ao cargo, com uma frase, que externa sua compreensão sobre os espaços de poder: “A causa é maior do que o cargo, e o cargo deve estar a serviço da causa, inclusive, para ser disponibilizado, se a sua disponibilização leva ao fortalecimento da causa”.

Governo brasileiro assina convênio que cria DEAMS no Haiti

Por Edneide Arruda A condição da mulher é universal e a solideriedade a todas as mulheres do planeta não pode ter fronteiras. Assim age a Secretaria Especial de Políticas paras as Mulheres. Na última visita do Presidente Lula ao Haiti, a ministra Nilcéa Freire, das Mulheres, que compunhava a comitiva brasileira, assinou convênio, para a implantação de cinco delegacias dos direitos da mulher no país. Isso porque, no Haiti é muito alto o índice de violência doméstica e de estupros. Ainda assim, muito há de ser feito pelas mulheres haitianas. Basta imaginar que que um Estado pequeno com Rondônia, tem sete demelgacias de mulheres. Naquele país, além de delegacias precisa-se de atendimento integral à saúde delas, e a garantia dos direitos reprodutivos.