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Felipe Mello: A constituição de um sujeito

Por Edneide Arruda

O jogador Felipe Mello jogou pessimamente mal com as palavras, numa entrevista coletiva que concedeu à imprensa internacional, na última segunda-feira(31/06/2010), na Africa do Sul. Ao criticar a 'Jabulani', a bola que a seleção brasileira utilizará durante a Copa do Mundo de 2010, o jogador se utilizou de velhos e bastante rejeitados estereótipos atribuídos às mulheres, e tascou essa:

“A bola é horrível. É difícil crer que vai ter uma Copa do Mundo com uma bola dessas. A outra é mulher de malandro, mas essa parece uma patricinha. Parece que ela foge, que não gosta de ser chutada”, afirmou o jogador.

A poucos dias do início do Mundial, quando a população brasileira retoma sua brasilidade, seu civismo, sua paixão pela bola, o chute de Felipe Mello foi para além de infeliz. Externou todo o sujeito nele constituído: um indivíduo preconceituoso e machista. Embora jovem e moderno, um indivíduo permeado de concepções que o mundo busca superar, que é a supremacia masculina, traduzida em violência sexista.

As mulheres que lutaram e se mantêm na luta contra a violência de gênero, fenômeno que ainda marca a história de inúmeras mulheres, certamente, não se sentem representadas pelos estereótipos de mulheres ditadas pelo jogador. Tanto que muitas delas, indignadas, se pronunciaram por meio das mídias sociais.
Veja aqui http://extra.globo.com/esporte/jogoextra/posts/2010/05/31/felipe-melo-na-copa-comparacao-entre-bola-patricinha-criticada-295948.asp

Felipe Melo pode até não saber a dimensão da repercussão que sua infeliz afirmação tem. Porém, sabe que é uma celebridade do esporte e, como tal, forma opinião e pessoas. Seria, no mínimo, uma questão de bom senso, este moço, que precisa aprender tanto ainda sobre relações solciais, se dignasse a pedir desculpas às milhares de mulheres brasileiras, aquelas que compõem a nação que ele representa neste mundial.

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