Pular para o conteúdo principal


MULHERES ESPETACULARES BRILHAM

NO  #ESQUENTADOMST

Por Edneide Arruda

Amanheci contente e muito feliz, hoje.  É que ontem à noite, tomei banho com arlequim, dancei no asfalto e brinquei no bloco da liberdade. O brilho do #EsquentaDoMST, prévia carnavalesca, realizada na boate Canteiro Central, no centro de Brasília, inebriou todas as pessoas que foram prestigiar a festa, organizada pelas mulheres do Movimento dos Sem Terra.

Por mais de quatro horas, mulheres do campo e da cidade, em sua ampla diversidade - de idade, origem, etnia, orientação sexual e pensamento político - exibiram não apenas alegria, mas, também, alto nível de consciência e coragem de lutar por direitos, justiça social, e, principalmente, por seus corpos e suas vidas.

Ao menos 60 artistas passaram pelo palco do #EsquenteDoMST. Cantando, dançando e declamando, as artistas se expressaram por meio da rica cultura popular brasileira, mostrando resistência e exibindo talento.

A festa pré-carnavalesca do MST, teve início com a DJ Jul Pagul, exortando as mulheres a darem seu grito de liberdade. 
Com a Mestra Martinha do Coco, a Banda do Contorno mostrou talentos

O rufar dos tambores da Batalá, banda de percussão, formada só por mulheres, levou às pessoas ao êxtase: pulando e dançando. 



O show continuou com a mestra Martinha do Coco que, juntamente com a Batida do Contorno apresentou cantos de embolada, coco, ciranda e pontos de terreiro. 

A atriz Sheila Campos exibiu performance brilhante, ao interpretar textos clássicos do teatro. 


O grupo Chinelo de Couro foi de xaxado, xote e baião, fazendo a plateia se esbaldar no forró.

Mais um ato político de feministas e mulheres organizadas em entidades sindicais, grupos sociais e populares, o #EsquentaDoMST bradou estridente “Não” ao fascismo, racismo e fundamentalismo. Com esse tom político, a festa foi prestigiada pelas deputadas federais Érika Kokai, do PT; e Sônia Guajajara, do Psol.
Enfim, pelo clima de alegria, prazer, segurança, liberdade e cidadania, a prévia da festa mais popular do país, amanheceria o dia.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A cada três dias um homoafetivo é assassinado no país

Por Edneide Arruda O Estado brasileiro não tem dados estatísticos sobre o total de homicídios que são praticados no país, quase diariamente, contra pessoas homoafetivas (gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais). Entretanto qualquer jornal de cidade do interior, tem seu dia de muita fama, quando divulga tal notícia, e os dados extra-oficiais impressionam. De acordo com o grupo gay da Bahia, Arco Íris, um levantamento, feito em jornais impressos e on line do Estado, revelou que, somente em 2007, pelo menos 122 pessoas morreram pelo simples fato de serem homossexuais. São dados que mostram que, a cada três dias um uma pessoa lésbica, homossexual, travesti ou transexual é assassinada, barbaramente, sem que nenhuma punição seja imputada aos assassinos . A nova coordenadora da Frente Parlamentar pela Cidadania GLBT (Gays, Lésbica, Bissexuais e Transexuais), no Congresso Nacional, senadora Fátima Cleide (PT), alertou aos presentes à I Conferência Nacional de LGBT, realizada neste ...

Criação do Fórum Popular de Mulheres de Porto Velho

A criação do Fórum Popular de Mulheres (FPM), em 22 de maio de 1992, em Porto Velho, capital de Rondônia, propiciou o surgimento de novas organizações de mulheres em diversos setores organizados da sociedade local (sindical, popular, partidário, extrativista, indígena, etc). Foi também o surgimento do FPM que deu visibilidade à temática do feminismo e tornou tradicional a comemoração de datas como o 8 de Marco (Dia Internacional da Mulher) e 25 de Novembro (Dia Internacional de Luta contra a Violência à Mulher). Durante os últimos 15 anos, feministas reunidas em torno do FPM foram responsáveis pela mobilização e realização de inúmeras atividades em conjunto com setores da sociedade civil organizada, partidos políticos, representantes da iniciativa privada e da imprensa. Nesse percurso, as mulheres do FPM tornaram-se referência e hoje, são as principais convidadas a proferir palestras e a provocar debates sobre feminismos, direitos reprodutivos, saúde das mulheres, ocupação do espaço ...

Caso Eloá: o que deu errado?

03/11/2008 Por Nilcéa Freire Essa é a pergunta que não quer calar a respeito do desfecho trágico em Santo André, que culminou com a morte da adolescente Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos. Nossa indagação, contudo, não é apenas com relação ao desfecho do caso, mas com as causas não visíveis da morte da jovem: Eloá morreu porque transgrediu a “ordem social”, quando se recusou a continuar o namoro com Lindemberg. A sua recusa, a sua escolha por não estar mais com ele, a sua opção pelo fim da relação, foram a sua sentença: o “lugar” da jovem Eloá na ordenação tácita da sociedade não é a de rechaçar o macho, e, sim, o de, ao ser escolhida por ele, aceitá-lo, acatando sua vontade. morreu previsivelmente por estar recusando uma relação de poder e dominação. Eloá morreu por ser mulher e por ser vítima de uma relação de desigualdade, baseada em uma cultura machista e patriarcal. Segundo essa lógica, a mulher que contraria a “ordem” pode e deve ser castigada para que tudo continue “no lugar”. E...