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O peso de ser mulher, negra e ex-doméstica

Por Edneide Arruda

Recebi na minha caixa, artigo assinado por Jaime Alves, jornalista e militante do movimento negro em São Paulo, tratando do caso da renúncia da ministra da Promoção e Igualdade Racial, do Governo Lula, Matilde Ribeiro.

Ela deixou a pasta, na última sexta-feira(01), atingida pela pauta midiática, que está voltada para o uso dos Cartões Corporativos da Presidência da República; instrumentos administrativos, criados na gestão do presidente tucano, Fernando Henrique Cardoso, mas que, como observa Jaime, "não se tem notícia de reportagem questionando sua criação e os critérios para seu uso".

No texto intitulado "Matilde Ribeiro e a imaginação racista branca", tão excelentes reflexões não podem passar ao largo dos olhos de uns sem-número de militantes dos movimentos negro e de mulheres do país.

Numa feliz passagem, resgatando frase de Perseu Abramo, Jaime alerta seu público a não comprar "o boi pelo bife", oferecido pela mídia, diariamente. Depois, Jaime admite: "Matilde devia saber que é mais facil um negro ser punido por comprar uma tapioca com o cartão corporativo da Presidencia da Republica do que FHC e sua turma ser presa por vender a Vale do Rio Doce por R$ 3 bi (o que agora vale R$ 170bi).".

Como se vê, este o outros crimes do governo FHC não estiveram na pauta da mídia, que, sequer se preocupou em exercitar a técnica de mostrar outras versões. Ou melhor: não se dignou a investigar como os cartões corporativos eram usados no governo passado.

Com Matilde Ribeiro, a coisa é diferente. Como bem escreve Jaime, atingi-la é determiannte, pois ela carrega sobre si "todas as marcas que a imprensa busca obstinadamente apagar do imaginário brasileiro e dos centros de poder": ser mulher, negra, oriunda de periferia e ex-empregada doméstica.

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